25 Dezembro 2011

Faria tudo de novo


O sistema nervoso do ser humano prega muitas partidas. Faz-nos querer fugir, ficar ou simplesmente ir mais além – e esta edição do Tunan’TE, para mim, contou com o patrocínio especial dessa mesma entidade: o sistema nervoso.

Foram 3 dias de festa, amigos, convívio, longas caminhadas, chuva e até um pouco de sol. Pelas ruas da Madragoa me reencontrei com amigos das terras insulares, com amigos de terras alfacinhas, amigos das tunas ou do banal dia-a-dia. Por momentos senti-me ainda mais em casa pois no ar ecoavam músicas que me são muito familiares e sotaques que me levam a casa sem levantar os pés do chão. Foram 3 dias de muita animação, sendo que já conto com 3 para 4 anos deste espírito que torna a vida académica tão mais interessante e garrida.

À semelhança da gran viagem que pelas ruas de Benfica travei lado a lado com umas quantas pessoas desta família, no Sábado, a caminho do Vendedor de Jornais, estes 4 anos também foram uma grande jornada – e o melhor da mesma são as histórias, as pessoas, as músicas e os lugares por onde passamos juntos. As pessoas com quem nos damos, acima de tudo, fazem toda a diferença, e neste grupo tão rico de gentes estudantis há tanta riqueza e potencial que é impossível não nos deixarmos levar e querermos dar mais, e mais, e mais.

E assim, a actuação chegou, e ao lado daquela que posso considerar a minha grande camarada de todo o percurso que fiz aqui em Lisboa, não só na escstunis, mas também na ESCS, subi mais um degrau. O sistema nervoso, relembro, patrocinador oficial destes 3 dias, ficou sem resposta pois há coisas que até podemos imaginar que poderão um dia vir a acontecer mas preferimos não pensar muito nisso para não criar expectativas muito altas. Pareceu-me apenas justo que este tão último como primeiro grande feito fosse apadrinhado pela pessoa que foi, praticamente, um padrinho não oficial durante toda a viagem – ainda bem que estavas lá.

Por ontem, por hoje, por amanhã, por tudo – obrigada, escstunis. Estes 3/4 anos têm sido tão preenchidos, tão musicais, tão tudo e mais alguma coisa que é impossível apalavrar na totalidade. Por vezes, pareces ingrata ou insatisfeita pois deixamo-nos ir tão longe por ti, que parece que já nada que façamos serve ou sai direito. Mas não, és sábia, ensinas-nos a sermos pessoas progressivamente melhores e dás-nos amigos que, estando perto ou longe, falando todos os dias ou só em datas pontuais, são eternos.

Obrigada, escstunis, por tudo o que me tiraste, por tudo o que me deste, pelas voltas que sempre consegues dar ao meu sistema nervoso e pelas lições que isso traz. Obrigada, Norreias, Bar Aberto, Jukebox, Entre-Aspas, Jacarta e Cagatacos pelo galo personalizado no qual se pode ler “Melhor Pandeireta”. Parabéns, Sofia “Fugitiva” Teixeira, sem ti este momento não teria tido tanta força e sem ti estes anos não teriam sido os mesmos.

E antes que me alongue ainda mais e que isto comece a ficar mesmo lamechas, sei que é cliché, mas termino dizendo algo que para mim é a verdade das verdades – se voltasse atrás, faria tudo igual: cada vitória, cada erro, cada momento. Este degrau, bem sei, não é o final de nada, mas é o culminar de muita coisa, e por isso sou eternamente grata a esta família, a estas pessoas, a esta magia a que chamo de escstunis. Obrigada.

Carla "Bocas" Cosme

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