Na escstunis, a cantar desde 25 de Setembro de 2008
Acho ser pertinente, após um ano de tunantices e de muitas histórias por contar, reflectir um pouco sobre tudo o que se passou, desde o que me trouxe aqui até àquilo que sei - e sou - hoje. Se há algo que me importa referir e deixar claro é que se o “canto” veio só em Setembro, a paixão por esta tuna surgiu estava eu ainda no 12º ano (sim, andei a fazer pesquisa e sim, estava muito confiante quanto à minha entrada na escs).
Confesso, já conhecia um membro que fez com que a minha escolha de instituição fosse bastante objectiva – a Pelota. A verdade é que não me arrependo em nada, nem de ter escolhido esta escola, nem de ter preferido este curso e obviamente que muito menos me arrependo de ter ido àquele ensaio da tuna, no dia 25 de Setembro de 2008, 5ª feira da semana de praxes. Estava ligeiramente afónica mas ainda assim capaz de atingir notas que pouco depois da audição levariam as pessoas a abordar-me com a seguinte pergunta “Tu é que és a sopraníssima?”.
Cheguei a esta cidade e não posso dizer que nada conhecia... estaria a mentir. Mas posso antes dizer que a dor de deixar muita gente importante na minha vida para trás, lá no meio do oceano, era um factor que pesava imenso na minha alma e que, aviso desde já, nunca deixa de pesar – apenas vai melhorando e é preciso saber como fazê-lo melhorar. O meu antídoto foi claro: juntar-me a a um grupo de músicos amadores que envergam capas negras, decisão já tomada muito antes de ter sequer chegado aos exames nacionais. E não era um grupo qualquer, senão a tuna daquela que eu sabia que viria a ser a minha escola e a qual à distância confesso que acompanhei, muito antes de sequer pisar solo Lisboeta para nele me fixar.
Concorri para Dança e fui aceite, mas a Publicidade e o Marketing não me saíam da cabeça.. e a “escstunis, a tuna da escs, a escola para onde quero ir” também era um factor que me atraía imenso.. E posso dizer que a escolha foi clara, sobretudo após a visita à instituição naquele tórrido mês de Julho. A partir daí era apenas uma questão de esperar pois as colocações não tardariam em sair e o Verão já dava sinais de despedida.
E assim foi. O dia de vir para Lisboa chegou, assim como o dia de ir para a escola, o dia de chegar a casa tão cansada de gritar por causa das praxes que adormeci às 20h e o dia de ir à tuna pela primeira vez.. Umas escassas 24 horas depois já envergava o fato-macaco no V Arraial escsito onde gritei pela tuna, feita doida – ordens do Bargister, que me explicou muito claramente que eu, sendo ainda a única candidata, teria de puxar pelas pessoas.
A partir daí foi sempre a somar... Até ao dia em que debaixo do sapato do Aleluia tinha um papelinho que anunciava que o meu colega Quaresma e eu tínhamos acabado de passar a caloiros.. foi a minha primeira ida à Sintra, mas não foi uma ida qualquer, pois cheguei lá como orgulhosa candidata desta grande tuna, e de lá saí caloira.
E muitos festivais se passaram, muitas actuações, muitos ensaios, muitas viagens (quem se esquecer do Algarve tem de largar os ácidos) e, entretanto, já o 2º ano na escs está a atingir um ritmo forte. Contra todas as adversidades académicas e coisas que tais, cada vez mais sou apaixonada por esta tuna pela qual, através de pequenos e grandes gestos, tento dar o melhor que tenho para dar. É uma família, de facto, e uma família que não espera de nós aquilo que não podemos dar. Não espera que saibamos cantar a priori para poder nela estar, não aceita nem permite que abdiquemos de ter tempo para dedicar ao nosso curso, não impera, sequer, que saibamos tocar um instrumento já ao chegar lá. Aquilo que esta pede, genuinamente, é a nossa vontade de ali estar e a amizade e alegria que possamos trazer, acima de quaisquer outras capacidades que possamos ter de modo a contribuir para a evolução deste núcleo.
Posta esta história toda, é por este amor inexplicável e, primeiramente, tido silenciosamente e à distância, que aqui estou... e hoje sou escstunis, somos escstunis, somos GRANDES do modo que sabemos que somos (ainda que nem todos tão altos como o OhSanna). E após um ano batido desta vida tunante, tenho a dizer com “aquela” lágrima no canto do olho: obrigada, escstunis, por abrires os braços a mais uma açoriana que se decidiu aventurar por terras de Portugal continental e que se agarra à capa negra de modo a curar saudades e a continuar a sorrir, feliz por aqui estar.
Por: Carla “Bocas” Cosme